E o Botafogo amansou a Fúria
Há exatos 48 anos, no dia 6 de junho de 1962, Brasil e Espanha duelaram pela primeira fase da Copa do Chile. Jogo tenso, singular e inesquecível.
Tenso porque o Brasil jogava pelo empate para seguir adiante na competição. Porém, foi a Espanha que saiu na frente, com um gol de Adelardo Rodriguez, aos 35 minutos do tempo inicial. Singular porque o Brasil esteve perto de adiar o sonho do bicampeonato. Mas, naquela tarde fria, o Botafogo foi a Seleção Brasileira. Virou o jogo e rumou para erguer pela segunda vez a Jules Rimet.

Collar se joga para cima de Nilton Santos
Doze minutos do segundo tempo. Espanha 1 a 0. Enrique Collar avança pela ponta direita acompanhado por Zagallo. Dá um corte rápido e ao ingressar na área é parado por Nilton Santos. A história conta que foi pênalti e que o nosso lateral deu dois passos para frente, postando-se na risca da grande área. Malandragem? Não concordo. Collar é que empurrou Nilton para dentro da área e ele apenas retornou à posição original. Até a falta é questionável e a imagem é clara: o pé direito do brasileiro está praticamente além da marca da cal. Ou será que estou equivocado? :))

Diante da simulação do espanhol, o lateral, com toda a razão, fica inconformado com a marcação de falta
Na cobrança da falta, Puskas ameaça bater, dá uma paradinha e recebe a vaia dos espectadores. Finalmente, centra para a marca de pênalti, a bola é rebatida e Joaquin Peiró vira uma bicicleta mandando a bola para as redes. Há quem não entenda até hoje a marcação do árbitro chileno Sérgio Bustamante. Mas o video-tape da partida não deixa dúvidas. Bustamante não anulou o segundo gol espanhol. Ele apitou claramente - uma empurrão sobre Zito - antes, inclusive, de Peiró iniciar a pedalada no ar. Gilmar nem esboçou uma defesa.
Depois do susto, só deu Botafogo em Viña Del Mar.
Aos 27 minutos, Zagallo avança pela esquerda e cruza. Jose Arasquistaín tenta a defesa com o pé direito, mas Amarildo, o “Possesso”, antecipa-se e marca o gol de empate. O Brasil estava classificado mas a Fúria ameaçava.
Foi quando Garrincha resolveu encontrar os seus “juans”. Primeiro levou Jesus Gracia, depois Adelardo, Gracia de novo, levantamento na pequena área, Amarildo só cumprimentou - Echeberria ainda tenta cortar, de cabeça, em vão. Botafogo 2, Espanha 1. Aos 22 anos, Amarildo Tavares da Silveira estreava na Copa do Mundo em grande e alvinegro estilo. Brilhava a Estrela Solitária no acanhado Estádio Sausalito.
Muita gente aposta que Brasil e Espanha farão a final da Copa do Mundo da África do Sul, neste 2010. Nos últimos dias até a EA Sports, fabricante de games, cravou a Espanha como campeã, usando um simulador que previu a vitória da Fúria sobre o Brasil por 3 a 1 na final. Não aposto no resultado, mas acho plausível que sejam estes os finalistas. Só que um embate entre Brasil e Espanha, em Copa do Mundo, nunca mais será disputado de forma tão Gloriosa como foi naquele 6 de junho.


