jun
28
2010
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O Bruxa chutava demais

Observando as informações fornecidas pelo Google Analytics, percebo que muitos internautas chegam até o Infogol buscando algo sobre Marinho Chagas. É um dos argumentos de pesquisa mais usados por nossos visitantes. Apenas neste ano foram perto de 100 pesquisas, vindas de todas as regiões do Brasil e também da Itália e de Portugal. Nada mal para um jogador que encerrou a carreira há quase 22 anos.

Marinho Chagas foi meu ídolo de infância e me fez botafoguense, já contei isso em um post anterior. Recentemente, renovei a certeza de que, mesmo criança, não fiz a opção errada.  Em uma releitura de um especial da revista Placar sobre os 12 maiores times do Brasil, vi que muita gente boa votou no craque para a eleição do Botafogo de todos os tempos. E quase todos o fizeram deslocando ninguém menos que a Enciclopédia para uma outra posição, abrindo, assim, um lugarzinho para o “Bruxa”.

“Foi tão bom (o Marinho Chagas) que, para colocá-lo no time, mandei Nilton Santos para a zaga”, explicou Carlos Augusto Montenegro. “O primeiro ídolo que tive”, confessou Gustavo Póli, hoje editor do GloboEsporte.com. Para Stepan Nercessian, Marinho é “a cara do Botafogo”. “Apesar de maluco, nunca vi um lateral como ele indo ao ataque e com um chutaço”, lembrou o mestre Roberto Porto. “Nasceu no Rio Grande do Norte, era a Bomba do Nordeste. À frente do seu tempo”, analisou Sérgio Augusto, autor de Botafogo – Entre o céu e o inferno, uma das obras definitivas que contam a história alvi-negra.

Marinho jogou pelo Botafogo entre 1972 e 1976. Segundo o historiador Pedro Varanda, na mesma revista Placar, foram 183 jogos e 39 gols. Pela Seleção Brasileira, 27 partidas e 4 gols. Na última vez que marcou com a camisa canarinho, mandou duas tijoladas contra a Colômbia, pelas Eliminatórias para a Copa da Argentina de 1978. Uma goleada de 6 a 0, em março de 1977, no Maracanã. Foi o jogo de estreia de Cláudio Coutinho como técnico do Brasil – substituindo a Oswaldo Brandão – e também a primeira partida de Marinho já como atleta do Fluminense.

Dia desses eu encontrei os gols dessa partida – que na época assisti pela televisão – no YouTube. Para quem acha que Roberto Carlos é aquele que melhor bate na bola entre os laterais-esquerdos que já passaram pela Seleção, aí estão as imagens da TV Cultura, com narração de Luiz Noriega (pai do comentarista do SporTV, Maurício Noriega). Dispensam maiores comentários e não deixam espaço para comparações. Imaginem o que faria o “Bruxa” batendo em uma jabulani…

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Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,
fev
04
2009
1

Ainda bem que ele era do Botafogo.

Marinho Chagas

Jogo no final e é bola na área da Tchecoslováquia. Depois de uma confusão e uma cabeçada de Jairizinho, o sujeito com a cabeleira loira manda para o fundo das redes. Brasil 1 a 0. É gol de Marinho Chagas.

Começava a história de um improvável botafoguense, nascido em Maringá(PR), onde, naquele tempo, nove entre dez garotos torciam para times de São Paulo. Meu pai, palmeirense. Meus tios, corinthianos. Mas eu, aos sete anos, ainda tentando compreender que história era aquela de vinte e dois homens correndo atrás de uma bola, comecei a buscar informações sobre o lateral esquerdo do Botafogo e da Seleção Brasileira, preparando-se para a Copa da Alemanha.  Imaginem o que era isso sem internet, nem televisão pay-per-view e tendo acesso dificultado a jornais e revistas que cobriam o futebol.

Marinho Chagas ainda faria mais um gol em um amistoso contra o Haiti. E voltaria daquele Mundial consagrado como o melhor da sua posição em todo o mundo. Estava inoculado em mim o botafoguismo que sobreviveria a custa de jogos mal-ouvidos no radinho de pilha, raríssimas partidas transmitidas pela TV e matérias esporádicas na Placar e na Folha de Londrina. Um torcedor do Botafogo que só conseguiu gritar “é campeão!” depois de quinze anos de torcida distante, quando Maurício, aos 12, do dia 21, depois de 21,  marcou o gol mais histórico da recente história alvinegra.

E foi com uma lembrança ainda muito viva de Marinho Chagas – “a Bruxa”, “a bomba nordestina” – que assisti à reprise de Brasil vs. Argentina, pela Copa da Alemanha. E colorida! Um verdadeiro presente da TV Cultura, dentro do programa “Grandes Momentos do Esporte”, que vai ao ar nas tardes de domingo. Do jogo, que assisti na época em uma  TV p&b, só tinha a lembrança dos gols de Rivelino e Jairzinho – que repetem até hoje -, e o placar de 2 a 1 a nosso favor. Mas, claro, não me recordava da atuação do lateral esquerdo.

Foi uma grata satisfação ver em ação um jogador que admirava quando criança. Marinho jogava muito e, principalmente, muito a frente de seu tempo. Zé Maria, o lateral direito, quase não ultrapassava o meio de campo. Já Marinho avançava sem medo, tramando jogadas com Dirceu – também do Botafogo – e Rivelino próximo à area adversária, às vezes chegando à linha de fundo. Sem contar que se apresentava para cobrar todas as faltas de ataque e por vezes partia sozinho para cima da zaga portenha, mesmo com dois ou três pela frente. Um ala, no início da década de 70.

Dirceu para Marinho, com Jair fechando pelo meio. Era o Botafogo infernizando a defesa dos hermanos na Copa de 74.

E mais: Marinho era destro, um detalhe que havia se apagado da minha memória. Afinal, notabilizou-se pelo setor esquerdo do campo. Mas sempre conduzia a bola com o pé direito, o que certamente confundia a marcação, pois em várias ocasiões afunilava para o centro e apresenta-se como um verdadeiro meia esquerda. Hoje é de se perguntar por que cargas d’água, afinal,  Cláudio Coutinho não o levou para a Copa da Argentina. Polivalente, Marinho Chagas já compreendia o overlapping e o ponto futuro quatro anos antes!

Em 1974, o potiguar Francisco das Chagas Marinho certamente não imaginava que estava a fazer botafoguenses mirins pelo interior do Paraná. De lá para cá, sempre soube que tinha tido a sorte de Marinho defender as cores do Glorioso naquela época, pois isso me transformou em alvinegro. Agora, trinta e cinco anos depois, foi bom confirmar que não escolhi errado meu ídolo de infância.

O cara jogava uma bola redonda! 

Em tempo: Marinho tomou um soco de Emerson Leão, no vestiário, após a derrota para Polônia por 1 a 0, na decisão pelo 3º lugar do Mundial da Alemanha. O goleiro não se conformou com o gol do carequinha Lato, que avançou pela esquerda da defesa brasileira, enquanto Marinho ainda voltava do campo de ataque. Pois bem, penso que essa injustiça merece uma correção. Ora, se Marinho avançava com frequência, como pude ver durante todo o jogo contra a Argentina, era porque Zagallo permitia. Caso contrário, não o faria com tal desenvoltura. Ou não? E, se o técnico autorizava, certamente deveria esperar por uma cobertura nas subidas do lateral, mesmo sendo um tempo em que não existia esquema com dois volantes e o Brasil atuava em uma espécie 4-3-3. Então, quem falhou no gol polonês? O Alfredo Mostarda, é claro, que tomou um drible e até hoje está procurando pelo polonês… Resumindo… Ô Leão, você agrediu o cara errado!…
Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, , ,

 

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