Botafogo (2) x Corinthians (2). A estratégia caranguejo nos tirou dois pontos.
Nos últimos anos o Botafogo ficou marcado pela sua inacreditável falta de autoconfiança. ”É assim o Botafogo: quando se espera que ele vá decidir, aí que ele não vai, é aí que ele, em vez de ir para frente, vai para trás”, sintetizou o Fernando Calazans, no “O Globo”, após a final do Carioca de 2009.
Neste domingo não foi diferente. Saiu atrás no placar contra o líder do campeonato, mas virou o jogo com competência e autoridade. E quando todos achavam que marcaria mais um e confirmaria sua tarde feliz, o que acontece? Recuo, mais recuo, escanteio no último minuto, gol de empate na prorrogação. De novo.
Convenhamos que, desta vez, o Botafogo não tem nada a ver com isso. O responsável pela pequenez da estratégia caranguejo dos últimos 15 minutos da partida tem nome e sobrenome: Joel Santana.
Porque o treinador acertou na escalação improvisada do 4-4-2, e acabou descobrindo que Lúcio Flávio e Renato Cajá podem jogar juntos nos dias em que ambos estejam a fim de jogo. Domingo foi um desses dias. E quando os dois poderiam ser letais no contra-ataque - como foram no gol da virada, junto com Marcelo Cordeiro - são sacados para a entrada de Bruno e Felipe Lima. Cansaço de ambos? Ainda que fosse, seriam mais eficientes na marcação, até pela quilometragem que possuem.
E não é a primeira vez de Joel. Contra o Flamengo, pela Taça Rio foi da mesma forma. E ainda houve o Santa Cruz, naquela fatídica partida pela Copa do Brasil. Quando a gente acredita que vai para a frente, vai para trás. Com a zaga que dispomos, não é possível sustentar um placar com o adversário jogando com dez no nosso campo de defesa.
De resto, ficaram algumas outras impressões:
* Marcelo Cordeiro tem razão em reclamar do frio que sente no banco de reservas. Considerando o resto do time, ele tem que estar em campo. E nem precisa ser para Somália - xodó de Joel - perder o lugar. Até porque Somália pode jogar na direita ou como volante, posição para o qual foi contratado. Tá fácil.
* Dia desses li uma declaração de Lúcio Flávio dizendo que estava se sentindo muito melhor fisicamente, e que isso refletia na qualidade do seu futebol. De fato, o meia deu um salto de eficiência surpreendente - vide os dois últimos gols que marcou. Não me recordo de ter visto uma arrancada em contra-ataque como esta contra o Corinthians. Só não entendo a razão de Lúcio Flávio ter sido titular fora de forma por tanto tempo, e tantas partidas, desde 2006.
* Leandro Guerreiro fez uma partida correta também, na minha opinião. Parece que começou a passar o efeito da tal escova marroquina.
* Caio não tremeu diante de Roberto Carlos e até obrigou o veterano lateral a jogar mais recuado. Não tremeu mas nem por isso conseguiu ganhar mais que uma jogada que, aliás, terminou em falta cobrada por Lúcio Flávio. RC3 mostrou porque é ainda um dos melhores e o Talismã descobriu que a estrada é mesmo longa e ele mal deixou o acostamento.
* A torcida não poupa Caio, mas Herrera também está devendo uma atuação convincente. Dá gosto de ver a garra do argentino, mas o sabor do gol é muito mais doce.
* Alessandro se esforça, corre, come grama. Passa alguns jogos esquecido pela parte da arquibacanda que o vaia. Aí, de repente, cai sentado como no lance do primeiro gol corinthiano. E fica de novo na berlinda. Alessandro e a vaia têm um caso de amor incompreensível.
Pausa para a Copa do Mundo. É bom ver o Brasil em campo e deixar a alma alvinegra torcer para o Loco Abreu superar o Scarone como o maior artilheiro da Celeste.
Mas não ter o Fogão em campo deixa um vazio danado!



