jun
28
2010
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O Bruxa chutava demais

Observando as informações fornecidas pelo Google Analytics, percebo que muitos internautas chegam até o Infogol buscando algo sobre Marinho Chagas. É um dos argumentos de pesquisa mais usados por nossos visitantes. Apenas neste ano foram perto de 100 pesquisas, vindas de todas as regiões do Brasil e também da Itália e de Portugal. Nada mal para um jogador que encerrou a carreira há quase 22 anos.

Marinho Chagas foi meu ídolo de infância e me fez botafoguense, já contei isso em um post anterior. Recentemente, renovei a certeza de que, mesmo criança, não fiz a opção errada.  Em uma releitura de um especial da revista Placar sobre os 12 maiores times do Brasil, vi que muita gente boa votou no craque para a eleição do Botafogo de todos os tempos. E quase todos o fizeram deslocando ninguém menos que a Enciclopédia para uma outra posição, abrindo, assim, um lugarzinho para o “Bruxa”.

“Foi tão bom (o Marinho Chagas) que, para colocá-lo no time, mandei Nilton Santos para a zaga”, explicou Carlos Augusto Montenegro. “O primeiro ídolo que tive”, confessou Gustavo Póli, hoje editor do GloboEsporte.com. Para Stepan Nercessian, Marinho é “a cara do Botafogo”. “Apesar de maluco, nunca vi um lateral como ele indo ao ataque e com um chutaço”, lembrou o mestre Roberto Porto. “Nasceu no Rio Grande do Norte, era a Bomba do Nordeste. À frente do seu tempo”, analisou Sérgio Augusto, autor de Botafogo – Entre o céu e o inferno, uma das obras definitivas que contam a história alvi-negra.

Marinho jogou pelo Botafogo entre 1972 e 1976. Segundo o historiador Pedro Varanda, na mesma revista Placar, foram 183 jogos e 39 gols. Pela Seleção Brasileira, 27 partidas e 4 gols. Na última vez que marcou com a camisa canarinho, mandou duas tijoladas contra a Colômbia, pelas Eliminatórias para a Copa da Argentina de 1978. Uma goleada de 6 a 0, em março de 1977, no Maracanã. Foi o jogo de estreia de Cláudio Coutinho como técnico do Brasil – substituindo a Oswaldo Brandão – e também a primeira partida de Marinho já como atleta do Fluminense.

Dia desses eu encontrei os gols dessa partida – que na época assisti pela televisão – no YouTube. Para quem acha que Roberto Carlos é aquele que melhor bate na bola entre os laterais-esquerdos que já passaram pela Seleção, aí estão as imagens da TV Cultura, com narração de Luiz Noriega (pai do comentarista do SporTV, Maurício Noriega). Dispensam maiores comentários e não deixam espaço para comparações. Imaginem o que faria o “Bruxa” batendo em uma jabulani…

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Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,
jun
14
2010
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21 depois de 21 – O homem do cruzamento redentor

Botafogo 2x2 Fluminense - Clique para ampliar

Para muita gente que acompanha o futebol, Vágner Aparecido Nunes, o Mazolinha, é apenas aquele que, tomado por um sentimento de coragem inusitada, talvez tenha sido o único jogador profissional – o primeiro, com certeza – que confessou em uma entrevista ter jogado sob o efeito do doping. A matéria da revista Placar, em 1987, rendeu ao seu autor, o jornalista Carlos Orletti, o Prêmio Esso de Informação Esportiva, um ano depois da publicação.

Para os botafoguenses, todavia, Mazolinha é muito, muitíssimo mais que uma matéria da Placar. Mazolinha é aquele que saiu do banco de reservas na final de 1989 para ser um dos protagonistas da jogada que encerrou o jejum de 21 anos.  O homem que cruzou uma das mais importantes bolas da história alvi-negra.

Durante muito tempo, acreditou-se que Mazolinha vestia a camisa 14 na final, que somada à camisa 7 de Maurício, totalizava o cabalístico 21. O atacante vestia, na verdade, a camisa 16. Só que era a sua vigésima primeira partida na competição. O mesmo número de jogos de Luisinho, que fez o lançamento para Mazolinha, e de Maurício, que recebeu o cruzamento. E, se não bastasse tamanha coincidência em torno daqueles que participaram do lance capital, Mazolinha entrou no lugar de Gustavo, que, adivinhem, atuou em quantas partidas naquele campeonato? Ora, 21, é claro!

Mazolinha marcou apenas um gol em todo o campeonato, o primeiro tento do empate de 2 a 2 contra o Fluminense, pela Taça Rio, em 21 de maio – tinha que ser nesse dia mesmo. Um cruzamento de Jéferson e um peixinho que deixou paralisado o  goleiro Ricardo Pinto. Foi de cabeça, porque o pé esquerdo já estava reservado para um lance ainda mais importante, um mês depois, no outro dia 21.

Faltam 7 dias para o lançamento de “21 depois de 21”. E sete, todos sabem, é o número da camisa do Maurício…

jun
10
2010
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21 depois de 21 – Vítor levanta a tampa do caixão

Flamengo 3 x 3 Botafogo - Clique para ampliar

Era o 03 de maio de 1989. Maurício fez o primeiro gol do clássico, mas o Flamengo vira e chega a abrir 3 a 1 no placar. Gonçalves – ainda rubro-negro – marcaria um belo gol contra de cobertura, diminuindo a vantagem. O Fogão rumava para sua primeira derrota no campeonato quando, aos 43 minutos do segundo tempo, Mauro Galvão descobre Vitor, que mata a bola no peito e invade a área, deixa um Zé Carlos sentado, outro Jorginho desorientado, e empurra para as redes. Era o 3 a 3 final.

A certeza da vitória era tanta que Zico não se conteve. “Ressuscitamos um morto”, desabafou, após o jogo. Um resultado fundamental para a conquista da Taça Rio e o direito de jogar a finalíssima contra o mesmo Flamengo, que havia conquistado a Taça Guanabara. O Botafogo de Vitor prosseguia, mais vivo e invicto do que nunca, para encerrar o jejum de 21 anos.

Dia 21 de junho tem o lançamento do “21 depois de 21”, de Rafael Casé e Paulo Marcelo Sampaio. Com vinte e um infogols. O aquecimento começa com a visita ao hotsite lançado pelo livrosdefutebol.com.

jun
07
2010
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Botafogo (2) x Corinthians (2). A estratégia caranguejo nos tirou dois pontos.

Nos últimos anos o Botafogo ficou marcado pela sua inacreditável falta de autoconfiança. “É assim o Botafogo: quando se espera que ele vá decidir, aí que ele não vai, é aí que ele, em vez de ir para frente, vai para trás”, sintetizou o Fernando Calazans, no “O Globo”, após a final do Carioca de 2009.

Neste domingo não foi diferente. Saiu atrás no placar contra o líder do campeonato, mas virou o jogo com competência e autoridade. E quando todos achavam que marcaria mais um e confirmaria sua tarde feliz, o que acontece? Recuo, mais recuo, escanteio no último minuto, gol de empate na prorrogação. De novo.

Convenhamos que, desta vez, o Botafogo não tem nada a ver com isso. O responsável pela pequenez da estratégia caranguejo dos últimos 15 minutos da partida tem nome e sobrenome: Joel Santana.

Porque o treinador acertou na escalação improvisada do 4-4-2, e acabou descobrindo que Lúcio Flávio e Renato Cajá podem jogar juntos nos dias em que ambos estejam a fim de jogo. Domingo foi um desses dias. E quando os dois poderiam ser letais no contra-ataque – como foram no gol da virada, junto com Marcelo Cordeiro – são sacados para a entrada de Bruno e Felipe Lima. Cansaço de ambos? Ainda que fosse, seriam mais eficientes na marcação, até pela quilometragem que possuem.

E não é a primeira vez de Joel. Contra o Flamengo, pela Taça Rio foi da mesma forma. E ainda houve o Santa Cruz, naquela fatídica partida pela Copa do Brasil. Quando a gente acredita que vai para a frente, vai para trás. Com a zaga que dispomos, não é possível sustentar um placar com o adversário jogando com dez no nosso campo de defesa.

De resto, ficaram algumas outras impressões:

* Marcelo Cordeiro tem razão em reclamar do frio que sente no banco de reservas. Considerando o resto do time, ele tem que estar em campo. E nem precisa ser para Somália – xodó de Joel – perder o lugar. Até porque Somália pode jogar na direita ou como volante, posição para o qual foi contratado. Tá fácil.

* Dia desses li uma declaração de Lúcio Flávio dizendo que estava se sentindo muito melhor fisicamente, e que isso refletia na qualidade do seu futebol. De fato, o meia deu um salto de eficiência surpreendente – vide os dois últimos gols que marcou. Não me recordo de ter visto uma arrancada em contra-ataque como esta contra o Corinthians. Só não entendo a razão de Lúcio Flávio ter sido titular fora de forma por tanto tempo, e tantas partidas, desde 2006.

* Leandro Guerreiro fez uma partida correta também, na minha opinião. Parece que começou a passar o efeito da tal escova marroquina.

* Caio não tremeu diante de Roberto Carlos e até obrigou o veterano lateral a jogar mais recuado. Não tremeu mas nem por isso conseguiu ganhar mais que uma jogada que, aliás, terminou em falta cobrada por Lúcio Flávio. RC3 mostrou porque é ainda um dos melhores e o Talismã descobriu que a estrada é mesmo longa e ele mal deixou o acostamento.

* A torcida não poupa Caio, mas Herrera também está devendo uma atuação convincente. Dá gosto de ver a garra do argentino, mas o sabor do gol é muito mais doce.

* Alessandro se esforça, corre, come grama. Passa alguns jogos esquecido pela parte da arquibacanda que o vaia. Aí, de repente, cai sentado como no lance do primeiro gol corinthiano. E fica de novo na berlinda. Alessandro e a vaia têm um caso de amor incompreensível.

Pausa para a Copa do Mundo. É bom ver o Brasil em campo e deixar a alma alvinegra torcer para o Loco Abreu superar o Scarone como o maior artilheiro da Celeste.

Mas não ter o Fogão em campo deixa um vazio danado!

jun
06
2010
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E o Botafogo amansou a Fúria

clique na imagem para ampliá-la

Há exatos 48 anos, no dia 6 de junho de 1962, Brasil e Espanha duelaram pela primeira fase da Copa do Chile. Jogo tenso, singular e inesquecível.

Tenso porque o Brasil jogava pelo empate para seguir adiante na competição. Porém, foi a Espanha que saiu na frente, com um gol de Adelardo Rodriguez, aos 35 minutos do tempo inicial. Singular porque o Brasil esteve perto de adiar o sonho do bicampeonato. Mas, naquela tarde fria, o Botafogo foi a Seleção Brasileira. Virou o jogo e rumou para erguer pela segunda vez a Jules Rimet.

Collar se joga para cima de Nilton Santos

Doze minutos do segundo tempo. Espanha 1 a 0. Enrique Collar avança pela ponta direita acompanhado por Zagallo. Dá um corte rápido e ao ingressar na área é parado por Nilton Santos. A história conta que foi pênalti e que o nosso lateral deu dois passos para frente, postando-se na risca da grande área. Malandragem? Não concordo. Collar é que empurrou Nilton para dentro da área e ele apenas retornou à posição original. Até a falta é questionável e a imagem é clara: o pé direito do brasileiro está praticamente além da marca da cal. Ou será que estou equivocado? :))

Diante da simulação do espanhol, o lateral, com toda a razão, fica inconformado com a marcação de falta

Na cobrança da falta, Puskas ameaça bater, dá uma paradinha e recebe a vaia dos espectadores. Finalmente, centra para a marca de pênalti, a bola é rebatida e Joaquin Peiró vira uma bicicleta mandando a bola para as redes. Há quem não entenda até hoje a marcação do árbitro chileno Sérgio Bustamante. Mas o video-tape da partida não deixa dúvidas. Bustamante não anulou o segundo gol espanhol. Ele apitou claramente – uma empurrão sobre Zito – antes, inclusive, de Peiró iniciar a pedalada no ar. Gilmar nem esboçou uma defesa.

Depois do susto, só deu Botafogo em Viña Del Mar.

Aos 27 minutos, Zagallo avança pela esquerda e cruza. Jose Arasquistaín tenta a defesa com o pé direito, mas Amarildo, o “Possesso”, antecipa-se e marca o gol de empate. O Brasil estava classificado mas a Fúria ameaçava.

Foi quando Garrincha resolveu encontrar os seus “juans”. Primeiro levou Jesus Gracia, depois Adelardo, Gracia de novo, levantamento na pequena área, Amarildo só cumprimentou – Echeberria ainda tenta cortar, de cabeça, em vão. Botafogo 2, Espanha 1. Aos 22 anos, Amarildo Tavares da Silveira estreava na Copa do Mundo em grande e alvinegro estilo. Brilhava a Estrela Solitária no acanhado Estádio Sausalito.

Muita gente aposta que Brasil e Espanha farão a final da Copa do Mundo da África do Sul, neste 2010. Nos últimos dias até a EA Sports, fabricante de games, cravou a Espanha como campeã, usando um simulador que previu a vitória da Fúria sobre o Brasil por 3 a 1 na final. Não aposto no resultado, mas acho plausível que sejam estes os finalistas. Só que um embate entre Brasil e Espanha, em Copa do Mundo, nunca mais será disputado de forma tão Gloriosa como foi naquele 6 de junho.

jun
02
2010
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Atlético-PR (3) x Botafogo (2). Baier extermina.

Poderia comentar aqui que Lúcio Flávio estava irreconhecível na primeira etapa e, por isso, fez um belo gol e um partidaço. Ou poderia dizer que Edno entrou bem e também mereceu deixar o seu.

E que o Botafogo poderia ter encerrado a conversa ainda antes do intervalo. Poderia, inclusive, ter goleado o Furacão, mas acabou engolindo uma virada inesperada e indigesta.

Muito poderia ser dito de um jogo estranho, que teve uma arbitragem pra lá de duvidosa e a favor de um adversário limitado que, todavia, escalou aquele que talvez seja o maior carrasco do alvinegro no século XXI: Paulo Cesar Baier. Mais uma vez, Baier derrubou o Botafogo, fazendo dois gols, quando o Glorioso já tinha aberto dois de distância no placar.

Paulo Baier em campo? Péssima notícia.

Fui pesquisar – tive que fazê-lo – e a verdade é surpreendente. Com este último resultado, Baier alcançou a 12ª vitória em 15 jogos disputados (com dois empates e uma derrota) contra o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro. Uma taxa de sucesso de 80%! Ou 38 pontos em 45 disputados.

Pior: mesmo atuando como lateral nos tempos do Goiás, marcou 12 gols, perfazendo uma inacreditável média de 0,8 gols por partida. E tem sido o grande pesadelo do nosso paredão Jefferson, que já foi buscar nas redes 8 bolas enviadas pelo hoje meia do Atlético-PR. Foram 5 em sua primeira passagem por General Severiano (até 2005) e outras 3 desde que retornou da Turquia. Oito gols em cinco jogos!

Paulo Baier já atuou pelo Botafogo – como Paulo Cesar -, no longínquo 1999, e pouco fez a nosso favor. Quando é contra, entretanto, Baier é bom. E extermina.

maio
27
2010
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Cruzeiro (1) x Botafogo (0). Ganha aquele que faz o gol. Mas, às vezes, a lógica é injusta.

Sinceramente, não me recordo qual foi a última vez que vi o Botafogo perder uma partida jogando bem. E, principalmente, ser derrotado por uma equipe de ponta, mas mostrando um bom futebol. Ultimamente, só perdíamos por mérito próprio. Porém, aconteceu nesta quarta-feira, diante do Cruzeiro, no Mineirão. Ficou a sensação de que o time poderia ter alcançado a ponta da tabela com mais três pontos. Restou o sentimento de que a equipe alvinegra pode brigar no cume e não mais no sopé da montanha.

E o jogo? Bem, daquilo que vi, restaram algumas impressões:

– Algo me diz que Alex ainda vai acabar arrumando um lugar, ao menos no banco de reservas para o qual ele nem vinha sendo relacionado. Bom domínio de bola, personalidade e um voleio que quase resultou no gol de empate. Olho nele.

–  Joel montou um esquema que conferia liberdade para Somália avançar, oferecendo-lhe o papel de “homem-surpresa”. Todavia, a surpresa veio mesmo numa ida sem volta do lateral improvisado, com Sandro Silva falhando, Leandro Guerreiro falhando, e Fahel olhando. Jonathan avançou pela esquerda e cruzou para Thiago Ribeiro, livre, empurrar a bola para as redes.

– Somália, porém, foi destaque na noite mineira. Sofreu o pênalti – não convertido -, avançou sempre com perigo e tem versatilidade para modificar seu posicionamento diante das necessidades do time. A única deficiência e que, infelizmente, pesa e muito, é a total incapacidade em cruzar com a perna esquerda. Em quase todas as jogadas de ponta ele é obrigado a cortar para a direita facilitando a ação da defesa. 

– O jogo tá difícil? Não conte com Lúcio Flávio. A incapacidade daquele que já foi chamado de “maestro” diante de adversários gabaritados é a maior certeza que a torcida tem antes mesmo da partida começar. Alguma correria e dezenas de toques para o lado. Nenhuma jogada em direção ao gol, nenhum lançamento. Não cobrou a falta mais perigosa e foi preterido na hora do pênalti. Volta, Maicosuel!

– Aliás, em se falando do pênalti… Desde criança ouço que a cobrança a meia altura no canto aumenta substancialmente as chances do goleiro defendê-la. Mas sempre há alguém que teima em bater dessa forma.  Desta vez, foi Renato Cajá. Um gol que mudaria a história da partida, pois o Cruzeiro não jogaria tão fechado na segunda etapa. O meia fez boa partida, de novo, e merece muito mais a titularidade que Lúcio Flávio, na minha modesta opinião.

– E o Edno, hein? Jogou isolado demais? No primeiro tempo, talvez. Mas, na segunda etapa, ele é que isolou  a bola, na única jogada incisiva que participou. O atacante que foi sonho de consumo do Botafogo por quase um ano ainda precisa mostrar o algo mais que lhe deu projeção na Portuguesa.

Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,
maio
24
2010
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Botafogo (3) x Goiás (0). O apagão mental do ataque alvinegro.

“A torcida não merecia presenciar aquilo, mas também acho que a cobrança, pelo que já ajudei o Botafogo a conquistar, foi áspera e injusta. No título carioca, fui decisivo em seis partidas. Como titular, estou invicto há dez jogos, e contra o Goiás participei diretamente dos três gols. Mesmo sabendo que errei, esperava receber amparo e compreensão dos torcedores”, queixou-se Caio, após a vitória contra o Esmeraldino e a inacreditável expulsão que conseguiu no jogo do último sábado.

Junto com Herrera, Caio protagonizou um dos dois episódios mais bizarros presenciados no Engenhão, desde a sua inauguração – o outro teve como astro o zagueiro André Luis, que “expulsou” o árbitro pela Sulamericana de 2008.

Todavia, diferentemente do argentino, o Talismã de Joel preferiu falar. E perdeu uma ótima chance de permanecer em silêncio.

De fato, é mesmo incompreensível que um grupo de torcedores vaie o ataque do seu time quando o placar marca um 3 a 0 a favor, quase no fim da partida.  Mas reclamar da cobrança, como fez Caio, também não faz sentido. Até porque a lambança foi mesmo grande, e o prejuízo pode ser ainda maior. Na verdade, o apupo começou quando Caio não passou a bola para Herrera, em um rápido contra-ataque que poderia resultar no quarto gol. Caio ficou nervoso com a torcida e perdeu a cabeça de vez quando cobrado também pelo companheiro. Herrera, que vem demonstrando um destempero portenho sem sentido, não deixou por menos. Empurra daqui, empurra dali. Um duplo apagão mental, em um final de tarde que era só alegria.

Dois expulsos, multas nos salários e desfalques para a partida contra o Cruzeiro. Irresponsabilidade que pode custar caro para um time embalado por sete pontos em três jogos. Irresponsabilidade que, talvez, deveria ser observada com um cuidado maior.

Coincidência ou não, Caio e Herrera – heróis em vários jogos – por pouco não se transformaram em vilões na final da Taça Rio, contra o Flamengo. Lances que caíram no esquecimento no momento em que subiram os rojões do festejo. A imaturidade de Caio levou-o a chutar para as arquibancadas um gol feito, sem goleiro, que fecharia a tampa do caixão rubro-negro quando já vencíamos por 2 a 1. O destempero de Herrera levou-o a uma expulsão absurda, em uma reclamação em que ele partiu para morder a orelha do árbitro que acabara de dar um pênalti – cuja cobrança de Adriano parou nas mãos de Jefferson.

A imaturidade de Caio faz com que ele prenda a bola em excesso, demonstre ansiedade em finalizações precipitadas e insista em dribles radiográficos. O destempero de Herrera faz com que ele reclame acintosamente de todas as decisões do árbitro, seja qual for a partida, seja qual for o placar. E, certamente, passará a ficar marcado pelos juízes e pelos cartões coloridos que lhe serão exibidos. Caio tem sido “talismã” quando entra no segundo tempo. Herrera tem sido decisivo quando vai em direção à bola e não gesticulando em direção aos homens do apito.

Papai Joel e a psicóloga do time, Maíra Ruas, terão trabalho extra.

maio
18
2010
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A festa tem que continuar

Maicosuel em ação, no Botafogo x Bangu de 2009.

Maicosuel Reginaldo de Matos, o craque e artilheiro do Campenato Carioca de 2009, está próximo de envergar novamente a camisa do Glorioso. Trata-se de uma excepcional notícia, desde que o Mago novamente festejado seja o mesmo que partiu em maio do ano passado. Porque, grande mesmo, Maicosuel foi apenas quando vestiu-se de alvinegro.

Em 2009, marcou 13 gols em 22 jogos. Foi manchete de primeira página durante toda a competição estadual, com direito a uma noite de gala na goleada de 4 x 0 em cima do Vasco, na semifinal da Taça Rio, quando assinalou um gol (o quarto) e autografou um golaço (o primeiro).

Antes de chegar por empréstimo a General Severiano, teve passagens apagadas por Cruzeiro e Palmeiras, onde aportara sob grande expectativa e as bençãos de Luxemburgo. Mas ganhou mesmo foi a titularidade das cadeiras dos suplentes.

Depois de General Severiano, desembarcou no Hoffenheim, mais uma vez cercado de prestígio. Havia quem falasse em Seleção. Arsenal e Paris Saint German o observavam de longe, já pensando em uma nova transferência. Depois de 27 partidas pela Bundesliga e Copa da Alemanha, 3 gols marcados e constantes substituições no segundo tempo, entrou para a lista dos dispensáveis.

Para os alemães, um bom negócio. Doze meses atrás desembolsaram perto de 4,5 milhões de euros na contratação, e agora admitem fechar a questão por outros 4 milhões. Nada mal um desconto de 500 mil euros. Para o Botafogo, um investimento em um jogador que foi valorizado pelo próprio clube. Em moeda nacional, Maicosuel foi negociado por R$ 12,8 milhões e agora estaria cotado a R$ 9 milhões, sendo que o clube já havia recebido R$ 2,5 milhões na primeira negociação. Conta vai, conta vem, sem considerar inflação, juros e correção monetária, e o Botafogo – ou, sei lá, o grupo de investidores – estaria colocando R$ 6,5 milhões para ter o Mago em definitivo.

Maicosuel chegaria  para ser o showman da festa de Joel Santana, cumprindo uma promessa de retorno que fizera antes. E se vier, e conseguir ser no Brasileirão-10 o mesmo  “cara”  que assistimos no Carioca-09, o baile promete ser animado.

Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,
maio
16
2010
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O que eu assisti de São Paulo (1) x Botafogo (2)

Quatro pontos e dois adversários de respeito depois, o Botafogo termina a segunda rodada entre os quatro primeiros. Um início promissor, não importa se foram pontos obtidos em confrontos contra equipes mistas. O fato é que Santos e São Paulo, pela frente, só no segundo turno. E ganhar no Cícero Pompeu de Toledo, de virada, confere um baita prestígio.

É flagrante que a equipe precisa de reforços, notadamente na meia cancha e na defesa. Peças de reposição serão necessárias ao longo de um campeonato-maratona. Contudo, é nítida a evolução do conjunto, o equilíbrio da trupe, o dedo do treinador. Aliás, conjunto, equilíbrio e treinador eram palavras que vinham caindo no esquecimento em General Severiano já  a algum tempo. Parece que estamos mesmo em um caminho iluminado.

E o jogo? Bem, daquilo que consegui assistir, eu vi:

– Sandro Silva-2010 é o Fahel-2009. Escalados na mesma posição, com a mesma ausência de futebol. 

– Herrera levou apenas um par de chuteiras ao Morumbi. Um par inadequado. Para alguém que joga com traçã0 quatro-por-quatro, a performance começa na escolha dos pneus.

– Caio estava com as chuteiras certas, mas parece que tinha o corpo errado. O talismã não para de pé. Arrumou muitas faltas, mas lhe faltou o jogo vertical em direção ao gol adversário. Caio voa quando o adversário está desgastado. Para começar a partida voando parece que ainda lhe falta asa.

– À exemplo de Caio, Renato Cajá é outro que joga muito quando entra na segunda etapa, mas que não comparece quando escalado desde o início. Armou toda a jogada do gol da virada e mandou para as redes com categoria. Diga-se de passagem, alguém consegue se lembrar quando foi a última vez que Lúcio Flávio conseguiu fazer uma jogada semelhante? Ninguém? Nem eu.

– E o nosso artilheiro, quem diria, é Antonio Carlos. Quando o ataque alcançar tal eficiência, teremos cadeira cativa no G-4 por muitas rodadas.

Então, que venha o Goiás. Uma pedra verde – esmeraldina – no nosso sapato por várias vezes nos últimos anos.  Só daquilo que me lembro devem ter sido umas três vezes nas quais eles colocaram quatro bolas na rede alvinegra, desde 2004. No próximo sábado, todavia, o favoritismo é todo do Botafogo. Espera-se uma vitória. Embalar é preciso.

Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,

 

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