jun
01
2010
0

Contagem regressiva para “21 depois de 21″ e “Quem derrubou João Saldanha”

Cesar Oliveira me enviou um e-mail confirmando o lançamento dos hotsites dos dois sensacionais lançamentos da LivrosDeFutebol.com. Clique nas imagens acima e comece a desfrutar do que vem por aí.

Nos sites, tudo sobre os livros, os autores, degustação grátis de um trecho dos livros, muitas fotos, as notícias que estão saindo na imprensa sobre as obras e ainda um QUIZ especial para os visitante concorrerem  a três livros autografados pelos autores.

Dica do Infogol!: não deixem de ler o prefácio do 21, já disponível. O autor é ninguém mais, ninguém menos, que Paulinho Criciúma, grande herói dentre os heróis de 1989. Você, botafoguense, vai começar a se emocionar de novo, tenha a certeza, quase 21 anos depois.

mai
31
2010
0

Botafogo (1) x Vasco (1). Placar justo com sabor amargo

Depois do que apresentou no confronto com o Cruzeiro, na quarta-feira, imaginei que o Botafogo partiria destemido para cima do Vasco da Gama, neste domingo. Errado.

Talvez assustado com a virada obtida pelo time da Colina ao bater o Internacional, na quinta-feira, o alvinegro entrou em campo com receios em demasia. Na verdade, deveria ser o esperado mesmo, se pararmos para analisar que o time tinha quatro cabeças-de-área escolados - Guerreiro, Túlio Souza, Fahel deslocado para a zaga, e Somália improvisado na esquerda. E, salvo engano, com os alas e o meia de ligação orientados a pensar primeiro na retaguarda. Não podia dar coisa boa. E não deu mesmo.

Aliás, se era para encarar o adversário de forma tão amedrontada e ainda assim tomar aquele tipo de gol - de um tal Ernani, que só não entrou com bola e tudo porque não saberia fazê-lo -, melhor seria sair logo para frente, com ímpeto e coragem, como fez no segundo tempo no Mineirão. Não é?

Então, o que pude observar, no intervalo entre os momentos de uma torcida pessoal angustiante, foi:

- Lúcio Flávio não bate mais os pênaltis e divide a cobrança de faltas frontais à área. Mas, por ora, ainda é o titular dos escanteios. Resultado: cobrou todos de forma equivocada, à meia altura, sempre na primeira trave. E a zagueirada cruzamaltina agradecendo. Até o artilheiro Antonio Carlos reclamou. Quem diria, tomando pito do becão.

- De positivo (?) o nosso meia até sofreu um pênalti não marcado pelo Carlos Eugênio Simon. Todavia, se repararmos com atenção, ele diminuiu a velocidade assim que ingressou na área e acabou atropelado. O juiz, que já marcou penalidades absurdas nos últimos meses - uma inacreditável em um Ceará e Fortaleza no ano passado -, titubeou. Foi a tal paradinha, quase imperceptível. No mais, jogou recuado e pouco apareceu. Um time que objetiva, no mínimo, a Libertadores, não pode depender de um armador com tamanha falta de produtividade. Volta, Maicosuel!

- Seguindo o modus operandi de todos os treinadores desde a era Cuca, Joel Santana novamente deu uma chance para Túlio Souza. Começou bem, é verdade, mas novamente foi se apagando, apagando, até não ser mais visto. Só apareceu de novo na hora de ser substituído, já na segunda etapa. Eis aí um jogador que, de duas, uma é certa: ou arrebenta nos treinamentos - que eu não acompanho - ou possui um empresário que arrebenta nos bastidores.  Em termos de oportunidades desperdiçadas, rivaliza com Eduardo, que já se foi.

- Herrera abre pela direita. Caio abre pela esquerda. E, aí, quem fica no meio esperando o cruzamento, se Lúcio Flávio e a grande área não se frequentam? Não sei. Penso que falta um Loco Abreu nesse esquema. Ou alguém pensa que a zaga alta do Vasco da Gama vai marcar um gol contra a nosso favor.

- A lua-de-mel entre Caio e a torcida chegou ao final. Vaia e gritos por Alex foram ouvidos após um contra-ataque desperdiçado. Por princípio - e obedecendo aos ensinamentos do mestre Roberto Porto -, discordo das vaias. Mas concordo com uma nova chance para o Alex, enquanto não é contratado um novo atacante. Volta, Jóbson!

mai
28
2010
4

Quem derrubou João Saldanha

Quarenta anos depois, João Sem Medo acerta as contas com a história e o futebol

 

“Quem sabe exista um certo fatalismo editorial, bibliográfico: alguém teria que escrever e alguém teria que publicar um livro assim, com justo e notável impacto na abordagem do mundo do futebol brasileiro: na realidade, seu contexto constrangedor, seu universo de alguma grandeza (dentro de campo) e muita miséria moral (fora dele).

E tal livro só poderia ser este, de Carlos Ferreira Vilarinho, e em torno da vida (e muita obra, digamos) de João Saldanha, o João guerreiro e militante  e sem-medo e tudo, a mais importante figura extra-campo da história de nosso futebol.

Apoiado em fatos e noticiário detalhado, em depoimentos, tudo entremeado pelas intervenções de João, esclarece os inúmeros episódios e acontecidos ao longo da atuação de João no futebol, basicamente no que se refere à Copa de 70, antes, durante e depois.”

“Quem derrubou João Saldanha” é o próximo lançamento da LivrosdeFutebol.com, editado pelo Cesar Oliveira. Dia 8 de junho, às 19horas, na Livraria da Travessa (Ipanema).

O hotsite do livro entra no ar neste final de semana, com um quiz que vai premiar os vencedores com livros autografados pelo Vilarinho.

mai
27
2010
0

Cruzeiro (1) x Botafogo (0). Ganha aquele que faz o gol. Mas, às vezes, a lógica é injusta.

Sinceramente, não me recordo qual foi a última vez que vi o Botafogo perder uma partida jogando bem. E, principalmente, ser derrotado por uma equipe de ponta, mas mostrando um bom futebol. Ultimamente, só perdíamos por mérito próprio. Porém, aconteceu nesta quarta-feira, diante do Cruzeiro, no Mineirão. Ficou a sensação de que o time poderia ter alcançado a ponta da tabela com mais três pontos. Restou o sentimento de que a equipe alvinegra pode brigar no cume e não mais no sopé da montanha.

E o jogo? Bem, daquilo que vi, restaram algumas impressões:

- Algo me diz que Alex ainda vai acabar arrumando um lugar, ao menos no banco de reservas para o qual ele nem vinha sendo relacionado. Bom domínio de bola, personalidade e um voleio que quase resultou no gol de empate. Olho nele.

-  Joel montou um esquema que conferia liberdade para Somália avançar, oferecendo-lhe o papel de “homem-surpresa”. Todavia, a surpresa veio mesmo numa ida sem volta do lateral improvisado, com Sandro Silva falhando, Leandro Guerreiro falhando, e Fahel olhando. Jonathan avançou pela esquerda e cruzou para Thiago Ribeiro, livre, empurrar a bola para as redes.

- Somália, porém, foi destaque na noite mineira. Sofreu o pênalti - não convertido -, avançou sempre com perigo e tem versatilidade para modificar seu posicionamento diante das necessidades do time. A única deficiência e que, infelizmente, pesa e muito, é a total incapacidade em cruzar com a perna esquerda. Em quase todas as jogadas de ponta ele é obrigado a cortar para a direita facilitando a ação da defesa. 

- O jogo tá difícil? Não conte com Lúcio Flávio. A incapacidade daquele que já foi chamado de “maestro” diante de adversários gabaritados é a maior certeza que a torcida tem antes mesmo da partida começar. Alguma correria e dezenas de toques para o lado. Nenhuma jogada em direção ao gol, nenhum lançamento. Não cobrou a falta mais perigosa e foi preterido na hora do pênalti. Volta, Maicosuel!

- Aliás, em se falando do pênalti… Desde criança ouço que a cobrança a meia altura no canto aumenta substancialmente as chances do goleiro defendê-la. Mas sempre há alguém que teima em bater dessa forma.  Desta vez, foi Renato Cajá. Um gol que mudaria a história da partida, pois o Cruzeiro não jogaria tão fechado na segunda etapa. O meia fez boa partida, de novo, e merece muito mais a titularidade que Lúcio Flávio, na minha modesta opinião.

- E o Edno, hein? Jogou isolado demais? No primeiro tempo, talvez. Mas, na segunda etapa, ele é que isolou  a bola, na única jogada incisiva que participou. O atacante que foi sonho de consumo do Botafogo por quase um ano ainda precisa mostrar o algo mais que lhe deu projeção na Portuguesa.

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mai
24
2010
0

Botafogo (3) x Goiás (0). O apagão mental do ataque alvinegro.

“A torcida não merecia presenciar aquilo, mas também acho que a cobrança, pelo que já ajudei o Botafogo a conquistar, foi áspera e injusta. No título carioca, fui decisivo em seis partidas. Como titular, estou invicto há dez jogos, e contra o Goiás participei diretamente dos três gols. Mesmo sabendo que errei, esperava receber amparo e compreensão dos torcedores”, queixou-se Caio, após a vitória contra o Esmeraldino e a inacreditável expulsão que conseguiu no jogo do último sábado.

Junto com Herrera, Caio protagonizou um dos dois episódios mais bizarros presenciados no Engenhão, desde a sua inauguração - o outro teve como astro o zagueiro André Luis, que “expulsou” o árbitro pela Sulamericana de 2008.

Todavia, diferentemente do argentino, o Talismã de Joel preferiu falar. E perdeu uma ótima chance de permanecer em silêncio.

De fato, é mesmo incompreensível que um grupo de torcedores vaie o ataque do seu time quando o placar marca um 3 a 0 a favor, quase no fim da partida.  Mas reclamar da cobrança, como fez Caio, também não faz sentido. Até porque a lambança foi mesmo grande, e o prejuízo pode ser ainda maior. Na verdade, o apupo começou quando Caio não passou a bola para Herrera, em um rápido contra-ataque que poderia resultar no quarto gol. Caio ficou nervoso com a torcida e perdeu a cabeça de vez quando cobrado também pelo companheiro. Herrera, que vem demonstrando um destempero portenho sem sentido, não deixou por menos. Empurra daqui, empurra dali. Um duplo apagão mental, em um final de tarde que era só alegria.

Dois expulsos, multas nos salários e desfalques para a partida contra o Cruzeiro. Irresponsabilidade que pode custar caro para um time embalado por sete pontos em três jogos. Irresponsabilidade que, talvez, deveria ser observada com um cuidado maior.

Coincidência ou não, Caio e Herrera - heróis em vários jogos - por pouco não se transformaram em vilões na final da Taça Rio, contra o Flamengo. Lances que caíram no esquecimento no momento em que subiram os rojões do festejo. A imaturidade de Caio levou-o a chutar para as arquibancadas um gol feito, sem goleiro, que fecharia a tampa do caixão rubro-negro quando já vencíamos por 2 a 1. O destempero de Herrera levou-o a uma expulsão absurda, em uma reclamação em que ele partiu para morder a orelha do árbitro que acabara de dar um pênalti - cuja cobrança de Adriano parou nas mãos de Jefferson.

A imaturidade de Caio faz com que ele prenda a bola em excesso, demonstre ansiedade em finalizações precipitadas e insista em dribles radiográficos. O destempero de Herrera faz com que ele reclame acintosamente de todas as decisões do árbitro, seja qual for a partida, seja qual for o placar. E, certamente, passará a ficar marcado pelos juízes e pelos cartões coloridos que lhe serão exibidos. Caio tem sido “talismã” quando entra no segundo tempo. Herrera tem sido decisivo quando vai em direção à bola e não gesticulando em direção aos homens do apito.

Papai Joel e a psicóloga do time, Maíra Ruas, terão trabalho extra.

mai
18
2010
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A festa tem que continuar

Maicosuel em ação, no Botafogo x Bangu de 2009.

Maicosuel Reginaldo de Matos, o craque e artilheiro do Campenato Carioca de 2009, está próximo de envergar novamente a camisa do Glorioso. Trata-se de uma excepcional notícia, desde que o Mago novamente festejado seja o mesmo que partiu em maio do ano passado. Porque, grande mesmo, Maicosuel foi apenas quando vestiu-se de alvinegro.

Em 2009, marcou 13 gols em 22 jogos. Foi manchete de primeira página durante toda a competição estadual, com direito a uma noite de gala na goleada de 4 x 0 em cima do Vasco, na semifinal da Taça Rio, quando assinalou um gol (o quarto) e autografou um golaço (o primeiro).

Antes de chegar por empréstimo a General Severiano, teve passagens apagadas por Cruzeiro e Palmeiras, onde aportara sob grande expectativa e as bençãos de Luxemburgo. Mas ganhou mesmo foi a titularidade das cadeiras dos suplentes.

Depois de General Severiano, desembarcou no Hoffenheim, mais uma vez cercado de prestígio. Havia quem falasse em Seleção. Arsenal e Paris Saint German o observavam de longe, já pensando em uma nova transferência. Depois de 27 partidas pela Bundesliga e Copa da Alemanha, 3 gols marcados e constantes substituições no segundo tempo, entrou para a lista dos dispensáveis.

Para os alemães, um bom negócio. Doze meses atrás desembolsaram perto de 4,5 milhões de euros na contratação, e agora admitem fechar a questão por outros 4 milhões. Nada mal um desconto de 500 mil euros. Para o Botafogo, um investimento em um jogador que foi valorizado pelo próprio clube. Em moeda nacional, Maicosuel foi negociado por R$ 12,8 milhões e agora estaria cotado a R$ 9 milhões, sendo que o clube já havia recebido R$ 2,5 milhões na primeira negociação. Conta vai, conta vem, sem considerar inflação, juros e correção monetária, e o Botafogo - ou, sei lá, o grupo de investidores - estaria colocando R$ 6,5 milhões para ter o Mago em definitivo.

Maicosuel chegaria  para ser o showman da festa de Joel Santana, cumprindo uma promessa de retorno que fizera antes. E se vier, e conseguir ser no Brasileirão-10 o mesmo  ”cara”  que assistimos no Carioca-09, o baile promete ser animado.

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mai
16
2010
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O que eu assisti de São Paulo (1) x Botafogo (2)

Quatro pontos e dois adversários de respeito depois, o Botafogo termina a segunda rodada entre os quatro primeiros. Um início promissor, não importa se foram pontos obtidos em confrontos contra equipes mistas. O fato é que Santos e São Paulo, pela frente, só no segundo turno. E ganhar no Cícero Pompeu de Toledo, de virada, confere um baita prestígio.

É flagrante que a equipe precisa de reforços, notadamente na meia cancha e na defesa. Peças de reposição serão necessárias ao longo de um campeonato-maratona. Contudo, é nítida a evolução do conjunto, o equilíbrio da trupe, o dedo do treinador. Aliás, conjunto, equilíbrio e treinador eram palavras que vinham caindo no esquecimento em General Severiano já  a algum tempo. Parece que estamos mesmo em um caminho iluminado.

E o jogo? Bem, daquilo que consegui assistir, eu vi:

- Sandro Silva-2010 é o Fahel-2009. Escalados na mesma posição, com a mesma ausência de futebol. 

- Herrera levou apenas um par de chuteiras ao Morumbi. Um par inadequado. Para alguém que joga com traçã0 quatro-por-quatro, a performance começa na escolha dos pneus.

- Caio estava com as chuteiras certas, mas parece que tinha o corpo errado. O talismã não para de pé. Arrumou muitas faltas, mas lhe faltou o jogo vertical em direção ao gol adversário. Caio voa quando o adversário está desgastado. Para começar a partida voando parece que ainda lhe falta asa.

- À exemplo de Caio, Renato Cajá é outro que joga muito quando entra na segunda etapa, mas que não comparece quando escalado desde o início. Armou toda a jogada do gol da virada e mandou para as redes com categoria. Diga-se de passagem, alguém consegue se lembrar quando foi a última vez que Lúcio Flávio conseguiu fazer uma jogada semelhante? Ninguém? Nem eu.

- E o nosso artilheiro, quem diria, é Antonio Carlos. Quando o ataque alcançar tal eficiência, teremos cadeira cativa no G-4 por muitas rodadas.

Então, que venha o Goiás. Uma pedra verde - esmeraldina - no nosso sapato por várias vezes nos últimos anos.  Só daquilo que me lembro devem ter sido umas três vezes nas quais eles colocaram quatro bolas na rede alvinegra, desde 2004. No próximo sábado, todavia, o favoritismo é todo do Botafogo. Espera-se uma vitória. Embalar é preciso.

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mai
11
2010
1

Este, sim, é Seleção

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Ele livrou o Botafogo do rebaixamento em 2009 e abriu 2010 em grande estilo. Eleito o maior craque do Campeonato Carioca - desbancando os adrianos, freds e carlos albertos da vida -, cerrou a meta nos momentos decisivos.

Em um dia em que se discute se Dunga é zangado, coerente ou teimoso, e se Neymar e Ganso deveriam estar na lista dos 23 que atravessarão o Atlântico rumo à Africa do Sul, Infogol pergunta: quem é o melhor goleiro que atua no Brasil? Quem é o grande pegador de pênaltis? Quem é que tem a melhor saída de gol, por baixo ou pelo alto? Quem é o arqueiro que prima pela discrição e eficiência, em detrimento da acrobacia e do auto-marketing?

E, sem paixão clubística, a resposta para as perguntas do parágrafo anterior é uma só: Jefferson.

Futebol é momento e, neste momento, Jefferson merecia pegar o avião para a Copa.

Se Dunga prefere outros três, azar da Seleção.

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abr
25
2010
1

Simpatizante não!

Ao menos no Rio de Janeiro, de cada 10 botafoguenses, 11 sempre acreditaram que Renato Maurício Prado, colunista do “O Globo” e comentarista do canal SporTV, é flamenguista desde a mais tenra idade.

Jamais pude imaginar, entretanto, que um dia ele assumiria isso ao vivo, em rede nacional, ainda que na TV por assinatura. Mas aconteceu…

Rola o programa Troca de Passes, do SporTV, após o amistoso em que o Botafogo derrotou o Corinthians por 3 a 1.

Mano Menezes está no vestiário do Engenhão, com o fone de ouvido, ao lado de Victorino Chermont. No estúdio, Marcelo Barreto, Lédio Carmona e Renato Maurício Prado. Bola com RMP, o primeiro a perguntar ao treinador corinthiano.

Renato Maurício Prado: Mano, eu fiquei curioso apenas pelo seguinte: esse jogo não teria sido um jogo bom para usar o Ronaldo, pelo menos em meio tempo, e ver mais ou menos como é que ele tá de ritmo de jogo, já que você o separou do elenco, justamente para prepará-lo para o jogo contra o Flamengo?

Mano Menezes: Olha, Renato, partindo de um simpatizante do Flamengo, eu não esperava outra pergunta. Eu trazer o Ronaldo aqui, colocá-lo em campo, acontece alguma coisa ruim e ele não pode jogar na quarta (Flamengo contra Corinthians, pelas oitavas-de-final da Libertadores).

(Renato ri, surpreso e sem graça)

Mano: Brincadeiras à parte… (e começa a discorrer os motivos que o levaram a não utilizar Ronaldo no amistoso contra o Botafogo)

Volta para o comentarista…

Renato: Mas ô Mano, olha, voltando aqui, brincadeiras à parte, quer dizer, é, independentemente de ser simpatizante do Flamengo, que eu não sou, sou torcedor do Flamengo, nunca escondi isso, o que não me impede de ser jornalista, e isento quando necessário, e é sempre necessário, né, mas basicamente…

Mano (interrompendo-o): eu não disse isso, Renato …

Renato: eu sei, mas então só para… senão as pessoas podem não entender bem, aí fica uma coisa no ar que não fica muito legal… a minha tese é a seguinte…(e continua a falar sobre Ronaldo).

Não voltam mais ao tema.

A propósito, e só para terminar, confesso que não entendi. O que será que o Renato Maurício Prado acha que não fica muito legal nessa história?

a) Ser tido apenas como simpatizante?
b) Não ficar claro que é torcedor do Flamengo? ou
c) Surgirem dúvidas sobre a sua isenção jornalística?

Sei não. :|

Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:, ,
abr
24
2010
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“El Loco no estaba acá”

Alguns blogs amigos - Mundo Botafogo e Fogo Eterno, entre outros - publicaram na íntegra. Muitos leram e repercutiram. E, de fato, trata-se de uma crônica para ser guardada com carinho e para todo o sempre. Gustavo Poli, no GloboEsporte.com, gastou a pena com singular felicidade. Para a felicidade da arquibancada alvinegra, ao final de uma semana mais que feliz.

El Loco Penal

por Gustavo Poli

“Estamos em fevereiro. Magrelo como um louva-deus, cabelos longos e escorridos… Washington Sebastián chega à sede da Policia Federal com um funcionário do Botafogo. O uruguaio de 1,93m está ali para tirar o visto de trabalho. Ao se aproximar do posto, é reconhecido pela policial que, botafoguense, comenta:

-       Poxa, vê se ajuda a gente. Porque… nos últimos três anos foi só tristeza.

Washington Sebastián rebate:

-       El Loco no estaba acá.

A delegada sorri. E Washington Sebastián Abreu arremata:

-       Com El Loco acá… és campeón.

Dois meses depois, Washington Sebastián – ou mais popularmente El Loco Abreu –  cumpriu a promessa.  E cumpriu de forma inesquecível – transformando tensão em leveza.  Arrumou um jeito de eternizar um pênalti – de transformar o mais objetivo e seco dos lances numa imagem perene. A sutil parábola que enganou o goleiro Bruno tirou anos de peso das costas alvinegras. E entronizou Abreu instantaneamente no panteão de um clube peculiar.

O Botafogo é um clube de extremos. Pula da tragédia para a glória num estalar de dedos.  Não é preto e branco por acaso – até porque o acaso passa longe de General Severiano. O botafoguense é um pessimista que acredita no milagre. E acredita, sobretudo, que toda coincidência é um indício. Pobres de nós, pretensos especialistas, que não fomos capaz de enxergá-los.

Antes do Campeonato, o comentarista esportivo que dissesse que o Botafogo ganharia os dois turnos do Campeonato Carioca… seria internado no pinel e tratado à base de choque elétrico. O time era fraco, não tinha consistência nem elenco – e buscava se reconstruir com uma série de jogadores que não deram certo em outro lugar.

Para o olhar treinado, porém, os indícios do título improvável eram muitos. Fazia 21 anos da épica vitória maurícia em cima do Flamengo – e do fim do jejum de 21 anos sem título (num jogo repleto de referências ao número 21). O campeonato era de 2010  (olha o 21 de novo) – 100 anos depois do primeiro titulo que o clube comemorou, o de 1910, que lhe concedeu o apelido de Glorioso. No início do campeonato, após a goleada por 6 a 0 para o Vasco, um torcedor botou fogo na camisa do clube. Loco Abreu chegou – e trouxe sua superstição: usar a camisa 13. Recebeu a dita cuja das mãos de outro supertiscioso histórico, El Lobo Zagallo. Herrera, o outro atacante, também tem uma camisa off-11 – usa o numero 17. E o clube contratou Joel Santana – conhecido por seu futebol eficiente… e por sua inacreditável estrela.

Ora, direis, ouvir indícios… bom, é claro que há muito de lenda nessa sopa de números. Mas, para o Botafogo, 2010 era um oásis necessário. Nelson Rodrigues dizia que o botafoguense é um calabrês – que precisa da derrota para se realizar. Sim, mas não apenas. O Botafogo precisa do contraste – precisa do fundo do poço para o salto seguinte.

De 2007 a 2009, o Botafogo pagou um mico atrás do outro. Perdeu três decisões para o Flamengo, duas nos pênaltis. Antes da segunda derrota, veio o orangotango do pranto coletivo – que carimbou o time como “chorão”.  E ainda teve mais – em 2007, a derrota das calcinhas diante do River Plate e a eliminação na Copa do Brasil – depois de um frangaço; em  2008, o cartão vermelho afanado pelo zagueiro André Luís na Copa Sul-Americana.

Todo esse peso pareceu levitar naquela bola de Abreu. Durante o campeonato, perguntei a um dirigente do clube – que aqui ficará anônimo – se o uruguaio não era limitado demais. A resposta:

- O Abreu é para as finais. Ele não sente.

Bom, bota “não sente” nisso. A marca do pênalti era uma espécie de vulcão islandês do Botafogo. Todo mundo tinha medo de passar por perto. Dois dos três  títulos perdidos contra o Flamengo… foram perdidos na marca de cal. E perdidos diante de Bruno, o grande nêmesis alvinegro. O goleiro foi o melhor jogador em campo na final de 2007. E o grande responsável pelo titulo de 2009 (pegou penais durante o jogo e na disputa decisiva) .

E, bom, esse era o cenário aos 27 minutos do segundo tempo de um jogo empatado em 1 a 1.  Jogo mascado. Da direita veio uma falta mal cobrada e um penal de rara infelicidade cometido pelo (quase) sempre cerebral Maldonado. Herrera havia cobrado o pênalti do primeiro tempo… logo, era de se esperar nova cobrança argentina. Mas não. Washington Sebastián pediu a bola. A tensão no Maracanã era quase palpável. Menos, ao que parece, para o dono da camisa 13.

Abreu tirou da cartola o pênalti muhamad ali – pairou como borboleta, picou como abelha – e entregou ao torcedor do Botafogo a imagem perene:  Bruno, mais que enganado – desenganado – no chão… enquanto a bola de rara picardia flutuava, beijava o travessão e caía nas redes… um momento youtube instantâneo, a redenção pelo tri-vice justamente num penal. E as palavras de Abreu ecoando na mente da policial federal:

-       El Loco no estaba acá.

El loco penal deixou o Maracanã direto para a galeria dos grandes gols decisivos do Campeonato Carioca. Nessa videoteca virtual, Loco Abreu pendurou seu quadro –  ao lado da barriga de Renato, da cabeçada de Rondinelli, da falta de Pet, do toque de Maurício, do balaço de Cocada… de todos aqueles gols que somos incapazes de esquecer. Lá está:  no dia 18 de abril de 2010, El Loco Abreu, camisa 13,  bateu um pênalti sorrindo, fez seu décimo-terceiro gol com a camisa do Botafogo e ganhou um campeonato.”

Escrito por Edson.T em: Sem categoria | Tags:,
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    1989_06_21_botafogo_vs_flamengo_g1.jpg Botafogo 2x2 Fluminense - Clique para ampliar

 

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