» Quarentinha, o artilheiro que não sorria

Quarentinha: 313 gols em 447 partidas pelo alvinegro
Entre a batida seca na bola e o estufar das redes, poucos segundos. Tempo suficiente, apenas, para o torcedor se preparar para festejar mais um gol de Quarentinha. Afinal, quando o pé esquerdo do maior artilheiro da história do Botafogo pegava de jeito na bola, o desfecho do lance era inevitável: trabalho, na certa, para o garoto do placar.
Waldir Lebrego, um paraense que acabou vindo parar no Rio de Janeiro, empurrado por sua potente canhota, integrou um dos mais talentosos elencos da história do futebol. Ao lado (e ao lado, aqui, quer dizer tão competente quanto) de mestres como Didi, Nilton Santos e Garrincha, colocou o Botafogo entre os maiores clubes do mundo.
Foram 313 gols em menos de 450 partidas com o manto alvinegro. Na Seleção, uma média de quase um gol por jogo.
Números tão impressionantes quanto relevantes. Entre os torcedores que o viram jogar, não há quem não se lembre de sua principal característica, a fria reação após os gols que marcava, por mais decisivos que fossem. Mas, a desculpa que o próprio atacante usava, de que não fazia mais do que sua obrigação, pois ganhava para isso, não passava de uma forma de mascarar seu jeito tímido de ser.
O texto acima abre a história daquele que foi o maior goleador do clube da Estrela Solitária, uma obra do jornalista Rafael Casé , e resultado de um ano e meio de pesquisas, dezenas de entrevistas e um levantamento minucioso de todos os jogos e tentos, que acabou revelando cinco gols até então não computados na literatura alvinegra.
Lançado em grande estilo no início de dezembro, “O artilheiro que não sorria - Quarentinha, o maior goleador da história Botafogo” teve a coordenação editorial de Cesar Oliveira, e assinala a estréia do selo LivrosdeFutebol.com no mercado livreiro.
O Infogol! teve a honra de participar desse projeto, agora transformado em um belo livro. Aliás, leitura das boas para todos os amantes do futebol. Ainda mais emocionante para leitores com coração botafoguense.
Foram retratados sete gols de Quarentinha anotados com as camisas do Botafogo, Paysandu, Seleção Carioca e Seleção Brasileira. Na ausência de imagens ou mesmo fotos das jogadas, os infográficos foram idealizados e concluídos com base em registros encontrados nos jornais e revistas da época, praticamente transformados em testemunho vivo a partir da narrativa apaixonada do Casé.
No livro, os desenhos foram publicados em escala de cinza, à exemplo de todas as demais fotos históricas ali contidas. Abaixo o original dos infográficos, aos quais foram acrescentados os primeiros textos enviados pelo autor.
1953 - Paysandu 3 x 9 Vasco da Gama
1954 - Botafogo 5 x 1 São Paulo
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Gostei muito, mas acho que ficou faltando mencionar que
Quarentinha passou pelo futebol baiano, mas precisamente
pelo E.C. Vitória (de abril/53 a junho/54)onde foi campeão
estadual e vice-artilheiro e posteriormente em partidas amistosas - defendendo o Vitória e o selecionado baiano - contra o Botafogo em Salvador iniciou o interesse do time carioca em comprar o seu passe o que se deu em início de
junho/54. De acôrdo com o jornal de Salvador “A TARDE” de
11/junho/1954, o seu passe custou 350 mil cruzeiros (moeda da época) e ainda dois jogadores em cessão definita.
Possuo toda a história de Quarentinha no Vitória, desde a
sua chegada a Salvador em 06/4/1953, seus jogos pelo campeonato baiano, amistosos, defendendo o selecionado baiano no Campeonato Brasileiro entre seleções dos Estados até a sua ida para o Rio de Janeiro em 19/junho/1954.
Tenho essas informações domentadas através cópias e fotos de jornais da época e caso haja interesse posso disponibilizá-las sem custo e exigências.
Meu único interesse é resgatar a história desse grande jogador que, na minha opinião, foi um dos maiores meias do futebol brasileiro, e eu, com 9 anos de idade, tive a
sorte e satisfação em vê-lo jogar pelo Vitória, ganhando e goleando diversas vezes o seu maior rival, o Bahia.
Abraços,
Miguel
Prezado Miguel,
No livro “O Artilheiro que não Sorria”, do Rafael Casé, um capítulo inteiro é dedicado à passagem de Quarentinha pelo Vitória. Constam ali, inclusive, todas as partidas disputadas e gols marcados pelo nosso artilheiro vestindo a camisa do rubro-negro baiano. Além disso, o prefácio da obra é assinado pelo João Ubaldo Ribeiro, que revela que sua paixão pelo Vitória nasce justamente por conta de um episódio envolvendo Quarentinha. Se você ainda não leu o livro, não perca a oportunidade. Visite a livrosdefutebol.com, site onde você poderá encontrar também uma vasta literatura sobre o esporte. Obrigado por visitar o Infogol!. Abs. Edson