Enganando alguns, iludindo outros. E caminhando para o caos.
Botafogo 2 x 2 Sport.
O Botafogo está flertando com a Série B, e o cupido é o senhor Ney Franco da Silveira.
O Botafogo é um time de Série A, representado por um elenco de Série B, com orçamento de Série C, capitaneado por um treinador de classe D.
O senhor Ney Franco da Silveira não consegue mais ludibriar a torcida. Talvez consiga iludir parte da diretoria. Não dá mesmo para enganar a todos durante todo o tempo. Está no dito popular.
Montou o time a sua feição, com toda a liberdade. Trouxe para General Severiano sua patota e suas canções. Mas não trouxe um esquema tático, uma única jogada ensaiada, um único indicado seu que seja capaz de um drible ou um lançamento de mais de cinco metros.
O senhor Ney Franco da Silveira deve acreditar que é capaz de uma alquimia que transforme pernas-de-pau em atletas medianos. E que por meio de suas experiências e de seu frenético turn-over possa levar sua equipe ao topo da tabela, surfando em metas surrealistas. Talvez acredite que possa enganar a todos durante todo o tempo.
Nesse time, ninguém sabe sequer quem é que cobra os escanteios. Guerreiro não sabe se joga na zaga ou na cabeça-de-área. Eduardo não sabe se é zagueiro, ala ou volante. Thiaguinho está na esquerda, na direita, mas é volante. Victor Simões volta para armar. Laio não sentava nem no banco, faz um gol em amistoso, passa a titular e grande esperança. Lucas Silva era grande esperança e está no balcão de ofertas. Rodrigo Dantas é grande esperança mas não é relacionado. Reinaldo não sai do estaleiro. Teco sai do estaleiro e, sem ritmo, ganha a titularidade. Está perto o dia de algum torcedor mais afoito invadir o campo e retirar Alessandro pelo braço. Todos os citados são elogiados pelo treinador. E, ao final, ninguém é culpado pelos míseros três pontos em doze disputados.
O senhor Ney Franco da Silveira é um sujeito confuso. À beira do caos.
Conduzindo o Botafogo para mais perto do seu Ipatinga.


