* O Botafogo optou por uma estratégia semelhante àquela adotada no jogo contra o Flamengo: acelerar desde o início. Tomou um susto logo na saída - com Thiago Neves quase marcando a 1:11 -, mas tomou as rédeas e conduziu as ações com autoridade durante pelo menos trinta minutos. Foram quatro chances claras de gol, nos pés de Reinaldo e Maicosuel - três delas antes dos 12 minutos - que poderiam ter definido o placar e a classificação.
* Fahel gostou mesmo dessa história de fazer gols de cabeça e deixou o seu, o terceiro no campeonato. O gol da vitória, é bem verdade, surgiu a partir de uma falha de posicionamento da defesa tricolor. Haviam sete jogadores do Flu na área e mais o goleiro, contra quatro botafoguenses. Juninho atraiu Fabinho para a entrada da área, Fahel saltou no meio de Edcarlos e Luis Alberto, e testou com convicção. E se a bola tivesse ido para o meio da pequena área - e não para as redes de FH -, Reinaldo estava livre para conferir.
* O mesmo Fahel, mais uma vez, mostrou-se eficiente na marcação, dificultando as ações de Thiago Neves. Leandro Guerreiro, na sua posição original de volante, praticamente anulou Conca. O esquema com três volantes imaginado por Ney Franco só não foi perfeito no primeiro tempo porque Léo Silva é limitado para o trabalho de armação.
* À frente no placar, o Botafogo resolveu repetir também o segundo tempo que fez contra o Flamengo. Renunciou ao ataque e limitou-se aos contragolpes, para sofrimento de sua torcida. Segundo o técnico Ney Franco, uma estratégia calculada que objetivava conter o ímpeto de Thiago Neves e Conca, principalmente.
* À despeito da explicação oficial, na minha opinião a razão do recuo é outra: o Botafogo não tem fôlego para atuar o tempo todo pressionando o adversário, como fez no primeiro terço da partida. Após o jogo contra o Flamengo, já havíamos comentado aqui no Infogol! sobre a visível falta de preparo físico. Ontem não foi diferente. Leandro Guerreiro e Maicosuel não aguentaram ultrapassar a metade do segundo tempo. Reinaldo quase estacionava no meio do gramado com as mãos sobre os joelhos. Cãimbras passaram a ser frequentes. Ou estão faltando bananas na dieta alvinegra ou há algo de anormal na preparação.
* Nesse sentido, vale lembrar que é apenas o início de temporada. O time sequer jogou pela Copa do Brasil. Mas os jogadores estão “arrebentando” a musculatura muito rapidamente. Não há médicos nesse blog, mas o fato é que Victor Simões já ficou ausente por duas partidas. Reinaldo machucou-se em jogo treino. Juninho também frequentou o estaleiro. Quadro muito preocupante, eis que o elenco é por demais enxuto e limitado tecnicamente.
* Aliás, em se falando de técnica, o Botafogo tem, a meu ver, um sério limitador para continuar atuando no esquema 3-6-1 - ou mesmo no 3-5-2 - de Ney Franco: os alas. Alessandro não está nos seus melhores dias (se é que algum dia já esteve, vestindo a camisa alvinegra) e Thiaguinho continua “manco” pela esquerda. E o esquema parece não funcionar sem alas efetivos e eficientes. Quantas bolas Thiaguinho conseguiu levar para a linha de fundo, ontem? E Alessandro? Por ora, fica a dependência das tabelas na entrada da área, dos lampejos de Maicosuel e da qualidade no toque de Reinaldo.
* Vem aí o Resende. E não vale o discurso politicamente correto. O Botafogo tem a total obrigação de vencer. Não apenas por suas qualidades, mas também pela fragilidade do adversário. Se o ápice do Resende - que só ganhou a vaga em função da lambança vascaína - foi o jogo contra o Flamengo, então não tem futebol para vencer este Botafogo. O atual artilheiro do campeonato joga lá, mas Bruno Meneghel está no nível de um F’ábio, de um Zarate, só que mais esbelto. Em todas as finalizações que fez contra o Flamengo, o atacante chutou mal, mesmo no pênalti. E mesmo fazendo dois gols. Na final o Botafogo pode até não ganhar. Se assim for, perderá para suas próprias pernas e para a falta de oxigênio. Na bola, não perde para o Resende.
* Botafogo na final da Taça Guanabara. Pode levar o quinto tróféu do torneio para a galeria em General Severiano. E todas as vezes que o time a conquistou, foi campeão carioca. Superstição? Ora… nem pensei nisso…