
O assistente Jackson Lourenço Massarra dos Santos invade o campo para intimar o árbitro a anular o gol. Cadê o Juninho, seu Rabello?
E continua repercutindo e dando margem a teorias, explicações e discussões das mais diversas o “gol” do Alesssandro contra o Boavista , no sábado. Que fique claro: o Infogol! não defende a marcaçao de um gol inexistente. Mas o fato inconteste é que a televisão - mais precisamente a entrosada equipe do Premiere Futebol Clube - exerceu papel fundamental na solução do imbróglio, induzindo a arbitragem a tomar uma decisão que contraria o que diz o órgão máximo do futebol mundial, a FIFA. E isso ainda vai dar muito falatório.
Dentre as explicações, o lateral do Botafogo diz que cabeceou de olhos fechados e, portanto, não viu a bola passando pela rede, fora da baliza. Que Alessandro cabeceia de olhos fechados não é de se causar estranheza. Mas revendo a imagem com atenção dá para perceber claramente que quando a bola segue pela rede lateral ele já aterrissou do salto que deu e parece acompanhar a trajetória da pelota. Duvido que não tenha visto. Mas isso é o de menor importância, convenhamos…
Melhor fez o árbitro Marcelo de Souza Pinto, na segunda-feira. Em reunião da Comissão de Arbitragem, teria argumentado - de acordo com o seu chefe, Jorge Rabello - que decidiu anular o lance em função de uma ameaça do capitão alvinegro Juninho. O árbitro quer que acreditem que só percebeu a irregularidade quando ouviu do zagueiro algo como “mesmo que tenha sido fora, você já deu o gol e não pode voltar atrás”. É mole? Simplesmente quis responsabilizar o jogador pela decisão que tomou de anular o tento que havia dado! Juninho, um inocente ou um delator?
No programa “Bem Amigos”, do SporTV, Arnaldo Cesar Coelho, por sua vez, afirmou ter ouvido de uma fonte segura que alguém teria descido das cabines de rádio e TV e informado ao quarto árbitro Estevão Cunha Trindade sobre a irregularidade.
Boas explicações.
Mas as imagens e o aúdio do jogo trasmitido pelo Premiere Futebol Clube, canal pay-per-view, contam outra história.
Quando Alessandro correu para a comemoração e o juiz para o meio de campo, o locutor João Guilherme ainda gritava gol e o comentarista Raul Quadros já o interrompia para dizer que a bola entrara pelo lado de fora. “O Jackson Lourenço (o auxiliar) levantou a bandeira e está chamando o árbitro”, alertava Quadros. Começava o bafafá.
O juiz foi ao encontro do bandeira ouvir a sua versão. De fato, o assistente estava na intermediária, havia interrompido a corrida em direção à linha de centro. A essa altura, o locutor e, principalmente, o comentarista, já estavam indignados com o gol dado. “Ele não pode dar esse gol”, repetia Quadros. “O pessoal (jogadores do Boavista) está pedindo para olhar a televisão”, dizia o repórter Max Andrade, próximo ao local onde dialogavam o juiz e o bandeira. “Dá uma olhadinha (na televisão)”, ouvia-se ao fundo, provavelmente a voz de algum jogador do time da casa.
Marcelo de Souza Pinto foi olhar as redes, não viu furo algum e confirmou gol. A chiadeira continuava. “Isto é um absurdo”, bradava mais de uma vez o comentarista do PFC. Jackson Lourenço chama novamente o juiz para a lateral. Ele vai, mas mantem a decisão e decide reiniciar a partida, enquanto Thiaguinho entra no lugar de Eduardo.
Nisso, o assistente e o quarto árbitro chamam pela terceira vez o juiz. É quando surge novamente o repórter. “O QUARTO ÁRBITRO ME PERGUNTOU O QUE É QUE A TELEVISÃO MOSTROU. FALEI PRA ELE QUE TINHA MOSTRADO QUE FOI POR FORA”, entregou Max Andrade. O árbitro se aproxima pela terceira vez da linha lateral. Jackson Lourenço e Estevão Trindade estão a confabular. Juiz e bandeira conversam mais uma vez. De novo, gol confirmado!
A bola está no centro e o Boavista vai dar o reinício da peleja. Juninho sequer está próximo do árbitro, pois voltara para compor a zaga. Antes de soar o apito, o auxiliar Lourenço, inconformado, literalmente invade o campo e corre - corre mesmo - em direçao a Souza Pinto. Pela quarta vez (!) vão conversar fora de campo. Juninho não se aproxima da dupla. O bandeirinha chega a gesticular e sinaliza em direção a algum local do campo. O árbitro, então, aponta em direção à meta do Boavista e, depois de sete minutos de paralisação, anula finalmente o gol que havia dado.
Ora, se o quarto árbitro Estevão Trindade perguntou a um repórter qual era a imagem da televisão, não resta a menor dúvida que a informação dada foi determinante para a decisão final. Principalmente pela reação que teve Jackson Lourenço, que conversou com Trindade e passou a ter convicção acerca do erro. E, como já foi amplamente divulgado desde o sábado, a FIFA não permite esse tipo de ingerência televisiva em uma partida de futebol.
Se alguém ainda tem dúvidas, que requisite cópia das imagens ao PFC, ou assista à reprise do jogo, que normalmente é transmitido por algum dos canais. Jorge Rabello? Que convide o Max Andrade para dar o seu testemunho sobre a tarde em Bacaxá…o aúdio está gravado…
E que fique a lição aos dirigentes do Botafogo durante o Campeonato Carioca: orientem os jogadores a interromperem a partida diante de um lance duvidoso. Que sentem na bola, ameacem entrar em greve de fome, rasguem o uniforme ou o que mais estiver ao alcance. É preciso dar tempo para que alguém da TV possa informar ao quarto árbitro qual a verdade vista na telinha.
Abriram a porteira? Pois agora aguentem a boiada passar…